TREM ANTERIOR (Módulo I)
Texto e Desenhos por JORGE DE ANDRADA CARVALHO
Juiz de Seleção e Estrutura
SBCPA – RKC – COAPA
Ao programarmos: O Curso de Juízes da SPCPA, nos idos de 1957, um conhecido pastoreiro andou distribuindo o que dizia ser o "Enxoval” necessário aos candidatos:
"Uma régua T, uma Régua milimetrada, um par de Esquadros, um Prumo, um Transferidor, uma Tábua de Logaritmos e um Canhão 75 para bombardear as súmulas dos demais juízes.”
Nesta série de artigos que propomos, vamos procurar demonstrar, com exceção do canhão, não ser de todo desnecessário esse material ao estudo do cão pastor alemão e isso graças a Max V. Stephanitz que, procurando formar uma raça de trabalho ideal, conseguiu, dado a seus conhecimentos de mecânica, criar uma verdadeira máquina, devidamente projetada, calculada e moldada, onde todas as suas partes visam, unicamente, oferecer a máxima capacidade de trabalho com um mínimo dispêndio de energia, em total rendimento – S. Excelência o cão Pastor Alemão.
O Trem Anterior, como base de sustentação do quadrúpede, durante a movimentação é que evidencia toda a sua indispensável contribuição, pois é nesse conjunto que vão refletir-se, em toda a sua intensidade, todos os esforços e reações produzidas pelos membros propulsores.
Ele é composto por uma série de ossos superpostos formando uma coluna de sustentação em três ângulos, subdividida em:
ZONOESQUELETO – que é constituído pela Omoplata, possibilitando a transmissão ao tronco de todas as forças e reações que partem das extremidades e vice-versa ;
STYLOPODIUM – é formada pelo úmero ou braço;
ZEUGOPODIUM – é formado pelo Rádio e Cúbito ou antebraço e
AUTOPODIUM – que é dividido em três seções:
BASIPODIUM – que é formado pelos ossos carpeanos;
METAPODIUM – pelos ossos metacarpeanos e
ACROPODIUM – pelos ossos dos dedos ou falanges.

Ao conjunto constituído pela Omoplata e Úmero, dá-se, no cão, o nome de ombro, de capital importância e que passaremos a analisar.
Os ombros nos animais e especialmente no caso do cão pastor alemão, um trotador de largas distâncias, assumem capital importância no comportamento do trem anterior durante a movimentação e especial-mente quando em trote, em vista a suas funções especificas de:
– suportar o peso do animal;
– avançar e dar-lhe direção;
– absorver os impactos do Momento de Propulsão;
– manter seu Centro de Gravidade, contrabalançando o Deslocamento Lateral, e
– produzir uma certa força tratora nas viradas e rampas e noutros tipos de movimentação, pois, como base do conjunto (Zonoesqueleto), são neles que vão refletir-se todas as cargas e esforços que atuam nesse conjunto durante essa fase e como tal, portanto, deverão possuir a melhor conformação enquadrando-se perfeitamente no fixando pelo Padrão da raça.
Num parêntese, é bom termos em mente que nada no padrão é fixado por meras razões estéticas, mas tudo com o único fito de proporcionar condições máximas em rendimento, pois o pastor alemão é essencialmente um cão de utilidade e como tal deve aproveitar o máximo de sua energia em trabalho e sem a menor perda. Para que isso se dê é essencial que suas diversas partes sejam dispostas, tal qual numa máquina, devidamente projetadas, calculadas e moldadas, de forma a poderem oferecer total rendimento.
Antes de adentrarmos propriamente ao tema, torna-se necessário conhecermos a formação anatômica do ombro; que, como vimos, vem a ser o conjunto formado pela Omoplata e o Úmero.
A Omoplata é um osso plano, de conformação alongada em forma trapezoidal, semi-lunar, côncava em sua face interna e externamente dividida por uma crista longitudinal em duas metades, aproximadamente iguais, à qual aderem, interna, lateral e externamente os músculos que a sustêm e movimentam. Sua parte superior é denominada coroa e a inferior ponte.
O Úmero, por sua vez, é um osso longo, de seção ovalada, em forma de um leve “S” com sua extremidade superior em maior seção, onde articula com a omoplata formando a "Ponta do ombro". Pela sua conformação, dispõe de uma saliência "Trochiter” que atua como uma batedeira, impedindo uma maior abertura da articulação escápulo-umeral e fixando, conseqüentemente, quando em movimento, a amplitude do passo.
A omoplata, de sentido oposto à garupa, ao contrário desta não é rígida, achando-se fixada ao tronco por sua face interna, levemente côncava em melhor adaptação ao abaulado da parede torácica, por uma série de músculos, que lhe permitem transmitir, verticalmente, aos ossos das extremidades, o peso do corpo e paralelamente, na movimentação, a fazem girar, por meio de músculos antagônicos, em torno de um eixo imaginário, no sentido para frente e para trás comandando a passada.
Entende-se por ombros o conjunto formado pela omoplata com o úmero, unidos pela articulação escápulo-úmeral; fixando o padrão dever a omoplata ser alongada e colocada em ângulo de 45º com a linha de dorso, horizontal, enquanto que o úmero, de igual dimensão, deverá formar com ela um ângulo, o escápulo-umeral, da ordem de 90º.

Outro ponto a observar-se é que o movimento dos ossos, nas articulações, mecanicamente, realiza-se não propriamente no eixo destas, mas sim sobre um Centro de Giro, sendo que a distância entre esse centro e o ponto de arranque do músculo, em geral, é o braço de força, enquanto a distância entre o Centro de Giro e o final do osso é o braço de tração. (Fig. 2A).

É de se notar que esses músculos ao atuarem, produzindo força, contraem-se, segundo a regra de be-ber-Fick, na razão da metade de seu cumprimento; evidenciando com isso, que para sua maior ação devem ser o mais alongado possível.
Inúmeros são os músculos que atuam na sustentação e movimentação da omoplata e úmero; os que servem de união entre o tronco e as extremidades torácicas e que se diferenciam em três grupos: os que começam na omoplata; os que começam no úmero ou neste e na omoplata e aqueles que terminam nesses ossos; os peitorais que atuam entre o esterno e o úmero e os umerais, estes dizendo respeito somente o Bíceps e o Tríceps.
Foge ao escopo deste artigo uma completa descrição dos músculos atuantes nesse conjunto, interessando-nos somente a sua função e desta forma teremos:
OMOTRANSVERSO – Parte do Atlas e se dirige, junto com o Trapézio Anterior i espinha escapular, com a função de adiantar o membro. (Fig. n.º 4).
TRAPÉZIO – Distinguindo-se em duas porções, um par Anterior que partindo da corda cervical termina na espinha escapular e um par Posterior que das vértebras torácicas também vai à espinha escapular; apresentando as funções de sujeição da omoplata e elevação e translação dos membros. (Fig. n.º 3 l.
ROMBÓIDE – Também em duas porções, uma Cervical e outra Torácica têm a função de sujeição da escápula e levantamento do membro, sendo que sua parte Cervical traciona a base da omoplata. (Fig. n.º 5).
SERRATO – Este é o mais potente e importante vínculo de união da escápula com o tronco e é graças a ele que é sustentado todo o peso do corpo, quando o cão em movimento. Dividindo em duas porções uma Anterior que parte da segunda e terceira vértebras e a Posterior que parte das primeiras até a 10ª vértebra torácica, converge ambas, até a face interna da escápula; com as funções de girar a base da escápula e estender ou inclinar lateralmente o pescoço, quando as extremidades estão fixas. (Fig. n.º 8).


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BRACHIOCÉFALO – Subdividido em três porções, uma partindo da base do crânio e outras duas das mandíbulas, indo inserir-se, contornando a ponta do ombro, na parte superior do úmero; apresenta as funções de flexionar o pescoço e inclinar a cabeça quando as extremidades estão livres. (Fig. n. 7).
GRANDE DORSAL – Situado nas partes laterais do tórax, suas fibras convergem até o úmero; servindo para fechar a articulação escápulo umeral e levar o tronco para frente, quando as extremidades estão fixas.
TERES MAIOR – Parte do ângulo dorsal até a crista do úmero, atuando como flexor da articulação. (Fig. n.º 8).
DELTÓIDE – Situado no triângulo compreendido entre a espinha escapular e a metade superior do úmero, serve para estender o braço.
TERES MINOR – Situado sob o Deltóide, ajuda a flexionar a articulação. (Fig. n.º 9).
BÍCEPS BRAQUIAL – Parte de a escápula indo inserir-se no úmero e cotovelo, atuando como extensor e tensor da articulação escapulo umeral, assim como flexor do cotovelo. (Fig. n.º 10).


CORACOBRAQUIAL – Nasce na escapula e passando pela articulação do ombro vai inserir-se no úmero, agindo como extensor da articulação e adutor do braço. (Fig. n.º 11).
TRÍCEPS BRAQUIAL – Composto, como o nome indica, de três cabeças, vai do bordo trazeiro da escápula ao cotovelo e atua como extensor do braço e flexor do ombro. (Fig. n.º 12),
SUPRA ESPINHOSO – Estende ou flexiona a articulação, podendo também fazer girar o braço para frente.
INFRA ESPINHOSO – Tem a função de abrir a articulação escápulo umeral. (Fig. n,º 13).
SUB ESCAPULAR – Serve para extensão da articulação do ombro.
PEITORAIS – Situam-se na parte inferior do peito estendendo-se até o úmero, com as funções de suporte e adiantamento dos membros e quando estes fixos tracionam, lateralmente, o tronco. Esses músculos além de servirem como sustentadores do conjunto dos ombros são os responsáveis, ao agirem antagônicos, pela movimentado do trem anterior ao girarem a espádua, abrindo e fechando a articulação escápulo umeral. (Fig. nº 14).

