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Meu nome é Trabalho

Final do século 19. Esta é a época em que o novato capitão do exército alemão, Max von Stephanitz, fica inebriado pela inteligência de uma raça que conhece durante uma exposição agropecuária. Durante o convívio com o animal, o capitão pôde ter contato com sua esperteza, versatilidade, dedicação, vontade de servir e coragem. A partir deste momento começa a surgir a categoria cão de utilidade no meio cinófilo. Em 1899, baseado neste ideal, fundou-se a raça Pastor Alemão. Por incentivo do capitão Stephanitz diversas unidades da força policial e militar alemã receberam por doação, Pastores Alemães e auxílio técnico para seu adestramento para uso policial e militar.

Em 1906 surgia o primeiro regulamento do Schutzhund, em alemão significa “cão de proteção”, que envolvia Faro, Obediência e Proteção, na qual o cão só era aprovado para fazer parte desse time se apresentasse desempenho suficiente nas três seções.

O que era um tipo de teste de aprovação para o trabalho, acabou virando uma modalidade esportiva. Antes de ser admitido para a prova de CA (cão adestrado), o animal deve ser submetido a uma prova de caráter. O cão que demonstrar falhas neste quesito será reprovado e não poderá participar do Schutzhund. O objetivo do teste é eliminar animais que demonstrem agressividade gratuita ou que não sejam controlados pelo dono. Uma vez aprovado, o cão está pronto para sua prova de CA, que consiste em uma seção de obediência e outra de defesa básica.
O esporte é praticado tanto pelas polícias de todo o mundo, inclusive a do Brasil, como forma de treinamento para os cães policiais, quanto pelos entusiastas dos cães de guarda, criadores e adestradores, que acabam se dedicando às competições.

Aos 18 meses o cão já pode participar das provas deste esporte. Nesta idade, o animal participa da prova mais simples, porém, se alcançar a pontuação mínima, recebe o título CA (cão adestrado). A partir de então, poderá participar de provas para tentar o título CT1 (cão de trabalho 1) até o CT3, a graduação mais elevada. Também encontramos provas apenas de faro, que imprimem os títulos CF1 e CF2 (cão de faro 1 e 2).

Um cão pode somar até 100 pontos em cada seção. Se o animal conseguir pelo menos 70 pontos na obediência e 80 pontos na defesa básica, ele poderá participar de provas de CT1. As provas de CT1, CT2 e CT3 possuem três seções: faro (ou rastreamento), obediência e defesa (ou proteção).

A PROVA

O Schutzhund divide-se em níveis de dificuldade CT1, CT2 e CT3. Há também provas complementares como o FH1 e FH2 (provas especializadas de faro com elevado grau de dificuldade).

FARO (PARA CÃES A PARTIR DE CT1)

A prova de Faro consiste em uma trilha de comprimento variável em função do grau de dificuldade (CT1- 300 passos; CT2 – 400 passos; CT3 – 600 passos; CF – acima de 1000 passos), que é marcada por uma pessoa caminhando em passo normal e onde são deixados objetos pessoais do condutor do animal. Quanto maior o grau de dificuldade, maior a quantidade de objetos deixados.

O traçado desta trilha varia (CT1 e CT2 -3 retas e 2 ângulos de 90 graus; CT3 – 5 retas e 4 ângulos; CF l – 7 retas e seis ângulos; CF2 – 8 retas e 7 ângulos). Depois de um determinado tempo que o local foi demarcado (CT1 – 20 min; CT2 – 30 min; CT3-60 min; CF – 180 min) o cão é trazido ao início da pista com a missão de percorrê-la e localizar os objetos.

Neste momento, o dono dá o comando "Busca" e é esperado que o animal trabalhe com o focinho rente ao chão, com intensidade, concentração, calma e precisão sem se afastar da pista. Qualquer desvio do comportamento desejado custa perda de pontos ou mesmo a desclassificação.
O total de pontos possíveis nesta seção é 100 e o mínimo requerido para aprovação é 70.

OBEDIÊNCIA (APENAS PARA CA E CT1)


Esta prova mede o trabalho do cão andando sem guia ao lado de seu condutor e é composta por oito exercícios, que englobam comandos de “Senta”, "Deita", "Junto", correr até o condutor, quando chamado,"Parar" em pé ou deitado em meio à marcha, buscar um objeto lançado a distância e trazê-lo até seu condutor (tanto no plano como saltando sobre um obstáculo de 1 m ou escalando um obstáculo de 1,8 m), correr à frente de seu condutor na direção indicada e ficar deitado sem se mover (mesmo sob distrações e distante de seu condutor).

Aqui, o cão é avaliado pela precisão e rapidez de seus movimentos, além de sua atitude positiva, o que confere o desejo de trabalhar. Nesta fase é fundamental que haja total entrosamento entre o animal e seu condutor.

Durante os exercícios, movimentos mal executados ou não executados resultam em perda de pontuação. O total de pontos possíveis nesta seção é 100 e o mínimo requerido para aprovação é 70.

DEFESA (PARA CÃES DE CA EM DIANTE)

A prova de defesa é dividida em cinco exercícios, nos quais o cão protege seu condutor de um agressor.

1 - Seguindo os comandos "Revista” e “Aqui” do condutor, o animal deverá revistar um figurante com duas batidas laterais (uma de cada lado).

2 - Ao localizar o figurante o cão deve latir e permanecer em posição de vigilância, sem atacar. O condutor busca o animal e tanto ele quanto o figurante se escondem.

3 - O condutor sai do esconderijo e tira a guia do cão, passando a caminhar em passo normal em direção ao esconderijo do figurante.

4 - Neste exercício o figurante sai do esconderijo e ataca sem emitir qualquer som. O cão deve repelir o ataque de "forma enérgica e segura, mordendo de forma cheia e firme”. O intruso ainda dá dois golpes no animal, com uma vara forrada de couro. Assim que o figurante ficar quieto e parado, o cão recebe o comando, “Larga”, neste instante ele deve soltar imediatamente o intruso e vigiá-lo atentamente.


5 - Aqui, o figurante abandona um novo esconderijo e, em passo normal, cruza o campo. O condutor ordena que ele pare, porém, a ordem não é cumprida e o intruso parte para o ataque frontal sobre condutor e cão. Neste momento, o condutor dá o comando "Vai" e permanece parado. O cão deve partir para o figurante, pegá-la e mordê-la com impulso, energia e firmeza, repelindo o ataque. Quando o criminoso suspende o ataque, o animal deve largar sem comando ou após um único comando, “Larga" e montar guarda atenta, não deixando que o figurante saia do lugar.

A partir de então o condutor permite que o figurante se afaste, ordena que ele levante os braços e faz o cão se deitar. O criminoso é revistado e desarmado. O condutor ordena que o cão sente, de modo que o animal fique entre ele e o figurante enquanto a guia é colocada. O exercício termina e o juiz anuncia a pontuação conseguida.
O sucesso nesta seção da prova depende não só do adestramento, mas do cão em si: sua coragem, determinação e autocontrole. O cão deve ser absolutamente controlável e obediente. O total de pontos possíveis nesta seção é 100 e o mínimo requerido 80.






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