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ORIENTAÇÕES BÁSICAS SOBRE FILHOTES E SEU DESENVOLVIMENTO

filhote Pastor Alemão SGCCPA

O texto abaixo foi escrito, originalmente, como respostas as dúvidas de um novo pastoreiro o qual recém havia adquirido seu primeiro filhote de Pastor Alemão.

 

As orientações que seguem tem como objetivo principal orientar proprietários de filhotes a ofertar boas condições e qualida­de de vida para seu cão, proporcionando um correto desenvolvimento e alcance do pleno potencial do animal na idade adulta.
1. ALIMENTAÇÃO

Sugere-se a ração sóli­da, específica para filhote, administrada no mínimo até os 12 meses de id­ade (normalmente se mantém a ração para filhote até os 14-16 meses), quando então deverá ser feita a mudança gradual para ração adulto.

sendo oferecida uma ração de qualidade as suplementações são consideradas necessá­rias apenas para cas­os bem pontuais, especificamente na fase dos 4 aos 6 meses, para auxílio da troca de dentição e refo­rço para maior firme­za das orelhas, nesta fase em que estarão se fixando eretas.

 

2. VACINAÇÃO

Recomenda-se a aplic­ação das chamadas va­cinas “éticas” (importadas), aplicadas por.médicos veterinários, devido a relativa pouca difer­ença de valor em rel­ação às vacinas nacionais e ao maior grau de con­fiabilidade das importadas.

A depender da opinião do médico veteriná­rio, serão aplicadas três ou talvez quatro vacinas no primeiro ano de vida do filho­te (com intervalo mí­nimo de 21 dias entre as doses); após o ciclo do primeiro ano hav­erá reforço anual.

Orienta-se a manuten­ção de vermifugos e carrapaticidas com maior frequência nas estações mais quentes do ano (primavera e verão).

 

3. ADESTRAMENTO

As opiniões são dive­rsas sobre quando/co­mo se deve introduzir o adestramento, va­riam de profissional para profissional.

Recomenda-se que o adestramento para obe­diência básica deva ser iniciado próximo dos seis meses de idade.

Já o adestramento pa­ra proteção de pesso­as e patrimônio deve iniciar apenas após os 12 meses de idad­e, com supervisão pr­ofissional, sob pena de gerar traumas di­fíceis de serem superados pelo animal na idade adulta (pós 24 meses de vida).

Entretanto a educação do filhote deve sim ser iniciada desde a chegada ao novo lar, com a imposição de limites e inserção de rotinas e regras de conduta; delimi­tação de espaços, ac­essos, etc… o filh­ote deve ser iniciado ao comando “não!”, ser repreendido em ato contínuo aos err­os cometidos (de nada adianta repreender horas após a conduta indevida) e deve sim ser muito elogiado quando dos acertos­/êxitos. Assim será dada maior ênfase aos estímulos positivos (recompensa pelo ac­erto – preferencialm­ente afagos e elogios ao invés de petisc­os) do que aos estím­ulos negativos (repr­eensão pelos erros).

 

4. ACASALAMENTO FUTURO

O acasalamento futuro deve ser muito bem planejado, visando o melhoramento genét­ico, utilizando-se linhas de sangue comp­atíveis e complement­ares.

Porém antes de se pe­nsar no acasalamento com o par ideal, se faz necessário o ex­ame radiográfico (a partir de 12 meses) para controle de dis­plasia de quadril e cotovelos em clínica credenciada pelo Cl­ube Brasileiro do Pa­stor Alemão – CBPA,  com o devido envio do resultado do exame junto do documento do cão (CAR/pedigre­e) à secretaria/cart­ório do clube para anotação e controle oficial (registro na base de dados).

Não é obrigatório, mas é recomendável fi­nalizar o processo de Seleção para Repro­dução, onde além do controle oficial de displasia das ar­ticulações o animal é submetido à prova de socialização/obed­iência e prova de pr­oteção ao condutor/a­companhante; quando então será redigida uma súmula de seleção do animal por árbi­tro credenciado junto ao CBPA/CBKC – tal processo visa orien­tar e direcionar a criação visando melho­rias estruturais e comportamentais dos indivíduos da raça Pa­stor Alemão.

 

5. CARACTERÍSTICAS GERAIS, CUIDADOS E ORIENTAÇÕES

O cão Pastor Alemão é um cão de guarda por excelência e um autêntico cão de trab­alho.

Fiel, perspicaz, int­eligente e seguro de si, o cão Pastor Al­emão se resume na ra­ça canina com maior capacidade para desempenhar um amplo es­pectro de funções: cão de guarda, compan­hia, faro, pastoreio, guia de cegos, cão policial, cão de gu­erra, um excelente desportista nas mais diversas modalidades (agility – schutzhu­nd – mondioring), en­tre outras funções diversas.

Entretanto, para que alcance todo seu po­tencial na fase adul­ta é IMPRESCINDÍVEL um correto manejo de­sde tenra idade.

Em que pese o extrav­asamento de toda sua energia na fase de filhote por diversas vezes “detonando” utensílios e bens da família/matilha em que convive (o que de fato só ocorre devi­do a falta de zelo dos proprietários), o cão em hipótese alg­uma deve ser submeti­do à agressões físic­as e/ou condições degradantes, sob pena de geração de traumas e limitação do pot­encial do cão na fase adulta.

Recomenda-se o conví­vio, ou pelo menos o contato com crianças e pessoas de diver­sas etnias na fase filhote (antes dos 9 – 10 meses de idade), apresentando sons, ambientes e situações variadas, proporcio­nando experiências diversas, para que o cão se torne seguro de si e confiante me­smo em situações de alto stress quando jovem/adulto.

Na fase filhote há de se ter muito cuida­do com produtos capa­zes de gerar intoxic­ação e envenenamento, pois o cão filhote tende a roer e inge­rir produtos não rec­omendados (algo que raramente aconteceria na fase adulta), bem como se destaca a restrição de acesso à piscinas onde o cão, por ser filhote, não terá condições de sair sozinho (nad­ará até a exaustão sendo que consequente­mente se afogará caso não seja resgatado a tempo!)

 

autoria do artigo:

Humberto Gautério de Souza
Coordenador do Núcleo Pelotas do CBPA
Criador da raça Pastor Alemão e colaborador da SGCCPA

 

 




OS 10 FATORES MAIS IMPORTANTES PARA SABER SOBRE DISPLASIA CANINA DE QUADRIL

12/11/2015

By Carol Beuchat PhD

 

A displasia de quadril (ou displasia coxo femoral) é um tema recorrente quando o assunto são cães, e tem sido assim pelos últimos 50 anos. Os pesquisadores têm trabalhado duro durante décadas a procura de soluções, e os criadores têm feito o seu melhor para reduzir o risco de produzir filhotes afetados. Mas, ainda assim, o problema permanece.

Existem algumas coisas simples que poderíamos fazer para reduzir a incidência de displasia de quadril desde já, se entendermos alguns itens básicos. Aqui estão as 10 coisas mais importantes que você precisa saber.

 

1)Todos os filhotes nascem com quadris perfeitamente normais

A displasia de quadril não é um defeito congênito; não está presente no nascimento. Vários estudos demonstraram que todos os filhotes normais nascem com quadris “perfeitos”; ou seja, são “normais” para um recém-nascido, sem sinais de displasia. As estruturas da articulação do quadril são cartilagens por ocasião do nascimento e só se tornam ossos com o crescimento do filhote. Se um filhote desenvolverá displasia de quadril, o processo começará logo após o nascimento.

Rx quadril dia 01

Esta é a articulação do quadril de um cachorro de 1 dia de idade. O tecido da cartilagem não aparece em uma radiografia até a deposição dos minerais que formam o osso. O desenvolvimento adequado da articulação depende da manutenção do encaixe adequado entre a cabeça do fêmur e a cavidade (acetábulo).

“As articulações de quadril de todos os cães são normais ao nascimento. As articulações continuam a se desenvolver normalmente, enquanto a congruidade completa é mantida entre o acetábulo e cabeça do fêmur… As bordas acetabulares são estimuladas a crescer por leve tração aplicada pela cápsula articular e pelos músculos glúteos ligados ao longo de suas bordas dorsais, e ainda pela pressão das cabeças femorais sobre as superfícies articulares … As características morfológicas da estrutura complexa do quadril mostram que o comportamento biomecânico é a principal influência no crescimento dessa articulação.” (Riser 1985)

 

2) Os genes que causam displasia coxofemoral permanecem um mistério

A displasia de quadril tende a ser mais comum em algumas raças e em algumas linhas de sangue do que em outras, o que indica que há um componente genético para o defeito. No entanto, cientistas têm procurado os genes responsáveis pelo desenvolvimento da displasia de quadril em cães, por décadas, sem sucesso.

Em alguns genes foram identificadas variações na sequência do DNA associadas com a displasia de quadril, em algumas raças essas variantes gênicas, entretanto, mas são específicas; ou seja, o conjunto de genes que apresentam variação, é diferente em cada raça. Por exemplo, ver estudos sobre o pastor alemão (Marschall & Distl 2007, Fells & Distl 2014 e Fels et al 2014), o Bernese – Boiadeiro Bernês (Pfahler & Distl 2012) e o Labrador Retriever (Phavaphutanon et al 2008). Genes cujas alterações são definitivamente causa de displasia de quadril não foram  encontrados em qualquer raça de canina.

É improvável que os pesquisadores venham a descobrir uma solução genética fácil para o problema da displasia de quadril. Trata-se de característica complexa, ou seja, que é influenciada por genes e pelo ambiente, e não há solução simples no horizonte. Devemos ser capazes de fazer melhoramento genético usando estratégias de seleção que sejam tão eficientes e eficazes quanto possível, como os valores estimados de reprodução, EBVs. Uma grande vantagem do uso do EBVs é que os genes responsáveis por uma característica não precisam ser conhecidos; você precisa apenas de um banco de dados de pedigrees e informações sobre os animais afetados.

 

3) Fatores ambientais também são importantes

Embora haja uma influência genética na displasia do quadril, a herdabilidade dessa característica é baixa. Vários estudos demonstraram que a variabilidade genética é responsável por apenas uma fração modesta da variabilidade na qualidade do quadril, geralmente 15-40%. Isso significa que parte da variabilidade na qualidade dos quadris resulta de influências não genéticas ou “ambientais”. Essa é uma das razões por que décadas de forte seleção resultaram, em apenas modestas reduções na displasia do quadril em algumas raças. Na taxa atual de progresso e selecionando apenas pelo fenótipo, poderia levar décadas para se conseguir uma redução significativa na incidência da displasia de quadril (Lewis et al 2013).

Compreender os fatores ambientais específicos que desempenham um papel no desenvolvimento da displasia de quadril deve permitir a redução do número de animais afetados pela displasia, mesmo que a base genética ainda não seja compreendida. Isso reduziria dor e sofrimento significativos, bem como os custos e o sofrimento que os proprietários de um cão afetado têm que enfrentar. Não há razão que justifique não tomar medidas ativas para fazer isso desde já.

Os três principais fatores ambientais identificados, com papel significativo no desenvolvimento de quadris displásicos, são: a) frouxidão articular, b) peso, e c) exercício (ver abaixo).

 

4) A frouxidão articular é a causa primária da displasia coxofemoral

Os filhotes nascem com quadris perfeitos, e, se os quadris não desenvolverem frouxidão articular, o cão não desenvolve displasia de quadril (Riser 1985). A frouxidão articular ocorre quando a cabeça do fêmur não encaixa perfeitamente no acetábulo. Isso pode ser o resultado de lesões traumáticas, sobrecarga da articulação por sobrepeso, falta de força muscular ou forças adutoras (por exemplo, junção das pernas). A frouxidão articular é o principal fator que predispõe um cão ao desenvolvimento de displasia de quadril.

Em cães, assim como em muitos outros vertebrados (incluindo seres humanos), a cabeça do fêmur em recém-nascidos é mantida firmemente no lugar por um ligamento forte chamado de “ligamento redondo” ou “ligamento teres” (ligamento da cabeça do fêmur).

Uma extremidade desse ligamento é unida à cabeça do fêmur e a outra extremidade à parede interna do acetábulo (o receptáculo em forma de copo na pelve).

Você pode ver o ligamento teres (ligamento da cabeça do fêmur) nesta ilustração

Ligamento Teres

Se este ligamento for danificado ou cortado, o fêmur não será mantido firmemente no soquete, o que fará com que a articulação se apresenta “solta”.

Condições Ligamento Teres

Se a cabeça femoral não estiver posicionada corretamente no soquete, as forças no quadril serão anormais. Em vez de serem distribuídas através da superfície interna do encaixe, as forças na junção serão concentradas numa área menor no bordo mais fraco do acetábulo. O resultado será danos à borda do soquete, quando uma carga é colocada sobre a articulação coxofemoral.

Articulação Coxo Femoral

5) Controle da estabilidade das articulações é fundamental

O ligamento teres deve manter a cabeça do fêmur firmemente no acetábulo do filhote canino em crescimento, enquanto os músculos que irão apoiar o quadril se desenvolvem e se tornam mais fortes. Mas, em alguns filhotes, o ligamento mostra evidência de dano antes mesmo de um mês de idade (Riser 1985).

“Os ligamentos teres das articulações do quadril estavam edematosos [inchados], algumas fibras do ligamento foram rompidas, e hemorragia capilar pontilhava a superfície dos ligamentos no ponto da dilaceração. Essas alterações foram consideradas os primeiros sinais que podem estar ligados a displasia de quadril”.

As forças anormais no fêmur e no acetábulo causadas pela frouxidão articular resultam no trauma que causa displasia de quadril e osteoartrite do quadril.

“Não há evidências de que exista um defeito ósseo primário, mas sim a doença é uma falha dos músculos e outros tecidos moles para manter a articulação do quadril em plena congruidade. Isto é ainda apoiado pelo fato de que a displasia óssea pode ser aumentada, diminuída, ou impedida pelo controle do grau de instabilidade articular e incongruência. Não há outras malformações associadas com a doença. Uma relação causal entre músculos e defeitos de tecidos moles ou alterações patológicas que não a falta de massa muscular ou força não foi estabelecida… A displasia de quadril é uma concentração de fatores, um conjunto de alterações genéticas e estresses ambientais incluídos em um padrão programado de remodelamento progressivo e doença articular degenerativa. (Riser 1985)

 

6) O peso corporal é um fator ambiental MAIOR

Se houver frouxidão na articulação do quadril, a quantidade de dano ao fêmur e ao acetábulo dependerá da magnitude das forças na articulação do quadril. Quanto mais pesado o cão, maiores as forças serão e também, portanto, maior o risco de displasia de quadril e osteoartrite.

Os cachorros que pesam mais ao nascer, bem como aqueles com taxas de crescimento mais altas (de modo que ficam mais pesados mais cedo), têm um maior risco de alterações degenerativas na articulação do quadril (Vanden Berg-Foels et al 2006).

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Como mostra este gráfico, filhotes mantidos em uma dieta restrita (linha cinza) têm um risco drasticamente menor de displasia e a desenvolvem muito mais tarde na vida do que cachorros mantidos com dietas de controle (linha preta) (Smith et al 2006).

Aos quatro anos de idade, menos de 10% dos cães submetidos a uma dieta restrita (25% menos do que a dieta de controle) eram displásicos, ao mesmo tempo em que mais de 30% dos cães do grupo de controle eram displásicos. Como vantagem adicional, cães em dietas restritas vivem mais tempo (Kealy et al 2002)!

Infelizmente, muitos cães (incluindo os de exposição) estão acima do peso (McGreevy et al 2005, Corbee 2013), e obesidade poderia muito bem ser o mais significativo fator ambiental único que acarretaria o desenvolvimento de displasia de quadril e osteoartrite. Mas peso corporal é fator que podemos controlar.

Embora o progresso da seleção genética leve muitas gerações, a incidência de displasia de quadril em cães poderia ser imediata e dramaticamente reduzida simplesmente praticando um melhor controle de peso.

 

7) O exercício é bom e ruim

O exercício fortalece os músculos das pernas e pélvis, o que irá aumentar a estabilidade da articulação do quadril. Mas todo o exercício não é igualmente desejável.

Os filhotes criados em superfícies escorregadias ou com acesso a escadas, com menos de 3 meses de idade, têm um maior risco de desenvolver displasia de quadril, enquanto aqueles aos quais são permitidos exercícios em terreno macio e irregular (como em um parque) e têm um menor risco (Krontveit et al 2012).

Os cães nascidos no verão têm um menor risco de desenvolver displasia de quadril, presumivelmente porque eles têm mais oportunidade de exercitar-se ao ar livre (Ktontveit et al 2012). Por outro lado, cães de 12 a 24 meses de idade que perseguem regularmente uma bola ou pedaço de madeira lançados pelo dono têm maior risco de desenvolver quadris displásicos (Sallander et al 2006).

O período mais crítico para o crescimento e o desenvolvimento adequados do quadril em cães é do nascimento até 8 semanas de idade, de modo que o tipo de exercício a que os filhotes são expostos é mais importante nesse período.

 

8) A nutrição é importante

Enquanto filhotes estão crescendo rapidamente, é extremamente importante que tenham nutrição correta. Os filhotes em crescimento precisam comer o suficiente para apoiar o crescimento, mas não devem ser gordos, porque qualquer peso extra pode aumentar o risco de desenvolver displasia de quadris (Hedhammar et al 1975, Kasstrom 1975). Um problema adicional é que os filhotes, recebendo muito alimento, também podem consumir doses excessivas de nutrientes específicos. Os filhotes alimentados com alimento comercial de qualidade e na quantidade apropriada, terão uma dieta nutricionalmente equilibrada e não devem receber qualquer suplemento. Os suplementos dietéticos, especialmente de cálcio, não são apenas desnecessários, mas podem causar sérios problemas. Não existem evidências de que a suplementação de proteínas ou vitaminas reduza o risco de displasia de quadril. Kealy et al 1991, Nap et al 1991, Richardson&Zentek 1998

 

9) A intervenção precoce é crítica

A maioria dos tratamentos para a displasia de quadril é mais fácil e mais bem sucedida em cães mais jovens. Se os sintomas iniciais forem ignorados e a triagem for feita somente após 24 meses ou mais, a janela de tempo com melhor prognóstico em resposta ao tratamento terá passado (Morgan et al 2000). Sinais de claudicação geralmente aparecem pela primeira vez quando o filhote tem de 4 a 6 meses de idade, mas depois de um mês ou dois, o cão muitas vezes parece melhor. Isso acontece porque o dano à borda acetabular como microcfraturas estará curado e o cão já não sentirá dor, mas o desenvolvimento da displasia e da osteoartrite continuará. A partir daí, o cão pode não apresentar novamente sinais clínicos durante anos, enquanto o dano patológico avança.

A frouxidão na articulação pode ser determinada tão cedo quanto 4 meses de idade (por apalpação ou Penn HIP). Se detectada precocemente, a intervenção para mitigar dano adicional pode incluir perda de peso, modificação do exercício e das atividades, ou cirurgia – mas deve ser feito antes do crescimento esquelético completo. Os criadores devem educar os novos proprietários de filhotes quanto aos fatores que podem aumentar o risco de desenvolver displasia de quadril e também aconselhá-los a obter um exame veterinário imediatamente, se houver qualquer sinal de claudicação.

 

10) Podemos reduzir drasticamente a displasia de quadril agora

A seleção genética deve continuar a produzir progresso modesto na redução da displasia de quadril. Mas, redução significativa e imediata no número de animais afetados poderia ser alcançada por um melhor controle de fatores ambientais. Monitoramento de peso exercício adequado, nutrição adequada e intervenção precoce ao primeiro sinal de claudicação são atitudes simples que podemos tomar e irão reduzir drasticamente a dor e o sofrimento causados pela displasia de quadril. A pesquisa certamente continuará, mas já temos as informações de que precisamos para atacar esse problema.

 

 

Este artigo foi publicado originalmente por The Institute of Canine Biology, e foi traduzido e adaptado por Humberto Gautério e Carlos Viana Neto com autorização da equipe editorial da publicação original.

Disponível em:
http://www.instituteofcaninebiology.org/blog/the-10-most-important-things-to-know-about-canine-hip-dysplasia

 




PASTOR ALEMÃO – ELE É O CÃO!
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Ao longo dos tempos ou, pelo menos, ao longo da existência formal da criação organizada, fundada no século 19, esta raça tem sido a mais consagrada nos quatro cantos do planeta. Os dados de 2010, por hora os mais recentes disponíveis, traçam um panorama parcial da popularidade do Pastor Alemão: 1º lugar em número anual de nascimentos registrados na Alemanha e na França; 2º na Itália, na França e nos Estados Unidos; 4º no Reino Unido. No Brasil os números exatos relacionados a ele não são divulgados, mas não há dúvida de que esteja entre as 10 raças mais registradas; é provável também que ocupe um posto entre as cinco mais; e é certo que se mantém em primeiro lugar entre os cães usados para a guarda.
As informações acima, como dito antes, restringem-se a um único ano. Não importa. Escolha qualquer outro ano, de qualquer outra década, e avalie o desempenho do Pastor Alemão. Ele está sempre no topo. Modismos e tendências, usuais regentes da ascensão e do declínio da maioria das raças, parecem ter esquecido desse cão. Não há fenômeno de popularidade canina que se compare ao dele. E, ainda que soe arriscado prever, não haverá. Pelo menos, não enquanto qualquer um de nós estiver aqui para testemunhar.
Seria, então, o Pastor Alemão a melhor de todas as raças? Recorrendo à velha (e simplória) máxima, o que é melhor para um não se faz necessariamente melhor para outro. A solidez do sucesso desse cão vem, sobretudo, de dois fatores. Um é o rigoroso controle de qualidade pelo qual ele passa em grande parte do mundo, o que impede de exemplares atípicos se disseminem de forma a aniquilar a boa imagem da raça perante o público: resumindo em grande linhas, para Pastores Alemães se acasalarem com direito a gerar filhotes com pedigree, eles tem de ser submetidos a avaliações de estrutura, temperamento e saúde. Não menos importante, o segundo fator que determina o êxito desse cão é a sua espantosa e peculiar versatilidade. Versatilidade essa que reflete para muitos (quiçá para a maioria) de nós, humanos, a imagem mais absoluta do dito melhor amigo do homem: o cão leal aos donos, disposto a obedecê-los prontamente, preparado para protegê-los do perigo, apto a desempenhar tarefas simples e complexas, amigável com todas as pessoas e, ao mesmo tempo, capaz de enfrentá-las caso se transformem em ameaças à família para a qual dedicou os caninos votos de fidelidade incondicional.
O Pastor Alemão se adapta sem aparente esforço às necessidades e ao estilo de vida de muita gente. É generoso em seus préstimos mesmo com donos de primeira viagem, não raros desastrados em matéria de educação canina. E se mostra excepcional com os mais experientes, graduados em extrair o melhor do potencial de um cão. Ele é o companheiro brincalhão e gentil com as crianças, o atleta ágil e resistente para os esportes, o parceiro sereno para momentos de ócio fora e dentro de casa, o defensor confiável da família e do território, o aluno prodígio em qualquer modalidade de adestramento.
Não à toa, está entre os cães vistos em companhia de portadores de necessidades especiais. Pastores Alemães atuam bem como guias de cego e como assistentes de pessoas com deficiências físicas ou mentais. Também não é a toa que essa raça é a mais utilizada pelas polícias do mundo. E para todas as funções policiais nas quais cães participam: ronda ostensiva, perseguição a criminosos, detecçao de armamentos e narcóticos, busca e salvamento de vítimas de catástrofes. Mesmo aqueles que, por ossos do ofício, acompanham rotineiramente as façanhas caninas mundo afora continuam se impressionando ao ver Pastores Alemães saltando de paraquedas, praticando rapel, farejando explosivos em campos minados, enfrentando rebeliões em presídios, desarmando e imobilizando bandidos, chafurdando em lamaçais atrás de sobreviventes de deslizamentos e enchentes, percorrendo montanhas de escombros aparentemente impenetráveis para localização de soterrados.
Sim, esse cão é o cão. Mas não é a prova de queixas. A mais recorrente delas, no que se refere ao temperamento, está no ímpeto dele de latir mais do que muitas pessoas consideram ideal. A estas, outras tantas diriam: deixem o supercão falar.
Texto da revista Cães & CIA nº391 – página 54